domingo

In Paris with Paris

Depois de juntar milha por milha desde o meu primeiro cartão de crédito, finalmente consegui dar um upgrade na minha existência e fazer uma viagem na primeira classe. O meu destino? Não é mais a pobreza, mas sim Paris. Quando embarquei, fiz aquela cara de “isso tudo para mim não é nada”. O luxo nunca me intimidou, a ideia de uma vida simplória, sim, aterroriza-me.

Quando sentei e olhei para o lado, adivinhem quem estava lá? A modelo, atriz, cantora, escritora, empresária e, sobretudo, a herdeira: Paris Hilton. Ao seu lado, estava Marlyin Monroe, sua cachorrinha, com um look a la Xuxa: pelos descoloridos e jaquetinha jeans. Quase tive um piripaque. Respirei fundo e mantive a compostura. Fiquei me corroendo por dentro, meu coração sapateava de emoção. Agora eu só tinha um objetivo em mente: até o final daquele voo eu seria o BFF da Paris.

Tive um pequeno probleminha no início: a desgraçada da cachorra não facilitou minha aproximação. Implicou comigo e não parava de latir. Eu dava risadinhas simpáticas, mas na verdade queria estrangular aquele rato peludo histérico. Paris me surpreendeu. Pediu desculpas pelo comportamento inadequado de Marlyin. Disse que a cadela estava estressada porque não era habituada aos voos comerciais.

Fiz a linha “sou fútil e amo meu yorkshire”. Disse para ela que também tinha uma cadelinha, a Rita Cadillac. Contei que não a tinha trazido porque ela era bem velhinha e estava com uma dor misteriosa no intestino há 11 dias. Os médicos suspeitavam ser síndrome do cólon irritado. No entanto, eu disse que não confiava muito naquele diagnóstico. Confessei que não me saía da cabeça a tarde que Rita passou com um rottweiler. Paris se comoveu e também confessou que Marlyin não estava tão bem. Inclinou-se para o meu lado e sussurrou que ela estava se recuperando de uma crise de alopécia, que quase ficara careca e que aquilo corroera sua auto-estima canina. A sorte foi ter encontrado um tratamento experimental de implante de pelos. Senti que ali, em meio às confidências, formou-se um laço amizade.

Voltei para leitura da minha Vanity Fair. Paris mais uma vez me surpreendeu. Tirou da sua Bottega Veneta  um livro: Hell de Lolita Pille. Para você, querido leitor, que mora nesta economia emergente de terceiro mundo e gasta todo o dinheiro que tem na lanhouse da esquina, perde tempo bisbilhotando a vida alheia no Orkut, em vez de se informar para sair da pobreza, Lolita é um patricinha francesa mui loca que escreveu um livro autobiográfico sobre sua vida desregrada no luxo e glamour.

Eu, que sou tendência, já tinha lido o livro de cabo a rabo. Inclusive, anotei os trechos preferidos no meu Moleskine. Ficamos, então, trocando nossas citações preferidas. Logo na primeira frase, em que a protagonista Hell se apresenta, Paris se extasiou e, como uma criança que quer compartilhar seu momento de euforia, releu: “Eu sou uma putinha. Daquelas mais insuportáveis; da pior espécie. Meu credo: seja bela e consumista.” “Trabalhar não faz parte da longa lista dos meus talentos”.

Não demorou muito, não se aguentando de tanta empolgação, ela leu outro trecho para mim: “A verdade é que a gente fica completamente de saco cheio sem ter mais nada o que desejar. O  mundo é pequeno demais, com oito anos a gente já deu umas dez vezes a volta nele na classe executiva...” Mal terminou de ler e me perguntou: “Isso não é a mais pura verdade?!”. Nem pestanejei e disse que sim, que era um tédio mesmo. Mas pensei cá com meus botões... Aos oito anos, quando papai queria me agradar, ele passava brilhantina no meu cabelo e me colocava na carroceria do caminhão. Como ele não tinha dinheiro para comprar um toca-fitas, a gente ficava rodando na cidade até que tocasse As Frenéticas no rádio. Então começávamos a cantar loucamente pela cidade: “Eu sei que eu sou bonita e gostosa e sei que você me olha e me quer”.

Recordações à parte, eu e Paris soluçamos de tanto chorar quando relemos a parte em que Hell entra em crise em frente à vitrine da Baby Dior por ter feito um aborto. Aproveitei este instante de comoção. Abri-me com ela. Falei que minha família também administrava uma bem-sucedida rede de “hotéis” chamada Shana Graúda. Enfim, contei minha história de vida. Dei aquela maquiada, é claro. Ela amou tudo que falei. Já era de se esperar, foi apenas mais uma celebridade que se rendeu ao meu ar de sibarita e, inevitavelmente, tornou-se minha BFF.

Chegando em Paris, segurei nos braços de Paris, olhei fixamente em seus olhos e disse: “Amiga, vamos transgredir! Quero escornar embaixo do Arco do Triunfo com uma garrafa de Champagne Cristal! Quero violar a lei francesa! Quero usar aquele rastreador eletrônico no tornozelo. Quero que o nosso rastro de luxo e esbórnia seja monitorado!”. Ela me levou para festas privadas no Ritz. Montados em um Porsche, dirigíamos bêbados na Champs-Elysées ao som de Silicone Soul. Gongávamos horrores as pessoas. Fizemos vídeos proibidos. Tiramos fotos comprometedoras. Enfim, tornei-me a tampa da sua Le Creuset.

Em um belo dia, sem mais nem menos, ela acordou e disse que não era mais minha BFF. Que a minha amizade para ela era “so last season”. Eu chorei, entrei em depressão. Paris sem Paris não tinha sentido. Meu mundo caiu. Pensei em vingança. Felino que sou, ameacei colocar os vídeos dela no meu blog. Ela se importou? NOT! Muito pelo contrário, usou aquela ideia contra mim. Como sabia de todo o meu sucesso no Twitter, ela disse que ia revelar minha identidade.


Texto escrito por @francfloyd, com colaboração de @camiladmarques.
(Todas as citações do nome @christianpior referem-se ao personagem "cover"do Twitter. O perfil verdadeiro do Evandro Santo é @santoEvandro).

13 comentários:

  1. belle histoire. félicitations.

    ResponderExcluir
  2. Colega, eu nao sabia desse livro Hell. Obrigado por salvar minha vida da monotonia!

    Afinal, depois de ler A Casa dos Budas Ditosos, os livros ficaram meio chatos... Nao é sempre que a gente lê pérolas como "com pó ou com pau?", onde a protagonista questiona seu boy bissex se eles vao cheirar cocaína ou vao pro swing com outro casal. ha ha

    ResponderExcluir
  3. Nah Faggie, ur world is gonne!

    Xoxo darling

    ResponderExcluir
  4. Amei!!!!
    Que historia linda!!!
    Bjos

    ResponderExcluir
  5. Hell é um daqueles livros que vc não consegue parar de ler..
    Vc ja leu Bubble Gum da Lollita? Beijoooo

    ResponderExcluir
  6. isso aconteceu comigo quando fui para Dubai...Paris bicht me deixou na deprê por dois dias.

    ResponderExcluir
  7. Você é realmente demaiizê.! Adoro o seu Blogger e te seguir no Twitter.! Porém percebi hoje que você adora brincar e não gosta que brinquem com você, pois me bloquiou no twitter :S .. Decepicionado com você.! Estou passado de chapinho Benhê.! Me desbloqueia do Twitter vai Mozão !? Xerô ;*

    ResponderExcluir
  8. Christian, não tem nada haver com seu blog, apenas eu o encontrei através de seu twitter.. Simplesmente, resolvi criar um twitter para praticar a escritas, mas qual problema me deparei.. não entendi o funcionamento correto mas descobri que as coisas que eu escrevo são vistas apenas pelas pessoas que estão me seguindo correto? (followers) e eu vejo as coisas das pessoas que eu estou seguindo (followings) correto?

    No caso eu estou te seguindo no Twitter e vc não está me seguindo, eu não vejo tudo que voce me escreve e voce não ve nada que eu escrevo correto? Como eu faço pra pedir a alguem pra me seguir? Tipo eu sigo voce e pra vc me seguir como faço pra pedir isto?

    Pois eu as vezes comento o que vc esta escrevendo e vc nunca ve correto? esse twitter precisa ser melhorado! Ajuda aew!

    ResponderExcluir
  9. Meu dia não é o mesmo se entrar no "twitta" e não ter algo q vc escreveu. Por mais que sejam sátiras, tem me ajudado a lidar (com humor) as minhas últimas adversidades. Obg a Deus por ainda existir gente de conteúdo sagaz como vc!

    PS.:Se ñ for pedir d+, queria t mandar umas "direct messages" d vez em quando... me add no twitta?!? (http://twitter.com/TheoUp)

    T adoro...!
    =)

    ResponderExcluir
  10. Chistian, tu vi o estresse da Gisele Bündchen no twitter? E o erro de portuguÊs que ela também cometeu? Foi muita emoção pra uma noite só. Olha, salvei as conversas : http://oquemeindigna.blogspot.com

    ResponderExcluir
  11. babado nem...

    je suis très fatigué anssi...

    mais faire quoi?

    ResponderExcluir
  12. Chirstian, evandro, Pior enfim .. seja lá quem for..
    quero dizer primeiro que o christian pior pra mim é um dos melhores do brasil..
    e por ter essa grande admiração .. resolvi fazer um video imitando o dito cujo..

    ve lá http://www.youtube.com/watch?v=1LSsPNB1V1E

    nao é virus ...

    esculacha ..

    abraço

    ResponderExcluir