quarta-feira

SEXACAMPEÃO

escrito por @francfloyd e @Cassi_rod
com colaboração de @HugoGloss




Estava eu, enrolado no gesso redutor de medidas, com meus óculos especiais, assistindo minha LED TV 3D, quando o "Torpedão Campeão", digo, Faustão aterrissou na minha frente com sua nova pele verde-amarelo-redução. Por um momento, pensei estar revendo "Alice no País das Maravilhas"de tão original que era o figurino. O contato imediato de terceira dimensão com aquela hecatombe fashion, além do susto, me fez lembrar que – sim, eu já sei! – estamos em véspera de Copa do Mundo.

Todos os holofotes estão virados para a África do Sul e, como tudo que reluz por lá, ou é diamante, ou é o sorriso de um Deus Ébano no escuro, já decidi: Zuma, estenda o tapete vermelho, porque Gloss está chegando.

O começo da minha relação com o futebol não foi nada passional. Lembro-me que na escola, nas aulas de educação física, tramava mais que vilã de novela mexicana para não participar do futebol. Inventava dor de cabeça, enrolava os pés com retalho, simulava ataques epiléticos, falsificava atestados médicos e, por fim, sem mais recursos e desculpas, disse que não poderia jogar porque estava com cólica menstrual. A partir desse dia, o professor desistiu e me deixou livre para brincar de peteca e queimada com as meninas.

Minha liberdade não durou muito. Vovô Destreza, que tinha o maior desgosto pelo meu atraso de macheza, pegou por missão transformar meu gloss em graxa. O sonho dele era que eu me tornasse mecânico. Vovô era, por assim dizer, um holligan do Agreste: fanático por futebol, alcoólatra e agressivo. A maior diversão dele era ir todo domingo para o Bar Ponto de Apoio. Lá ele se exibia para a dona abrindo garrafas com os únicos dois dentes que lhe restavam - daí o apelido, assistia a jogos de futebol, enchia a cara e ameaçava os outros clientes com Tânia, a peixerinha que sempre levava na cintura. 

Desde pequeno vovô me oferecia cerveja com gelo, que ele tomava na leiteira de casa. Sempre beberiquei, mas jamais apreciei o sabor amargo da cevada. Dentre os incontáveis planos de vovô para me tornar hominho, estava me levar para assistir aos jogos da Copa do Mundo na super televisão 14 polegadas do Ponto de Apoio. Até hoje, quando falam em Copa, me vem à memória a imagem horrenda daquele bar, decorado com aquelas bandeirinhas de papel crepom, todas sujas de cocozinhos de mosquito e ensebadas com o óleo das frituras. E o cardápio? Se não era aprovado pela Vigilância Sanitária, muito menos o era pelo IBAMA. Uma verdadeira chacina ambiental: perninha de rã frita, farofa de tatu e cozidinho de veado. Minhas pernas tremiam quando eu lia o nome desse tira-gosto. 

Eu sentia minha elegância ser estuprada e esquartejada por aquele ambiente hostil e inóspito. A única coisa que me alegrava eram os ovos rosa e o Guaraná Jesus. Achava chique. Fingia que era champagne rosé. Nos dias em que estava de bom humor, Vovô Destreza deixava eu comer um ovinho, mas nunca entendeu porque, antes de comê-lo, eu o lambia todo. Gostava do rosado que ficava em minha boca. Hoje continuo lambendo, por razões diferentes, é claro, mas não menos dignas. Os amigos de vovô logo começaram a caçoar de mim, diziam que eu só comia coisas rosadinhas. Para provar que eu era machinho, vovô me proibiu de beber refrigerante e comer ovo e me obrigou a beber pinga e comer torresmo.

Vocês não queiram saber o que é misturar Gloss com torresmo e cachaça. Gritei descontroladamente quando um jogador fez um gol impedido. Afinal, é ou não é baphônyko, num campo cheio de homens, quando um jogador consegue destacar sua beleza e suas coxas, correndo na frente dos outros? Não conseguia entender como aquele povo achava impedimento ruim. Para mim aquilo era inveja do jogador. Sempre quando eu via alguém correr sozinho lá na frente eu gritava: AHASA! 

Foi também nesse dia que desmaiei ao ver a seleção da Itália enfileirada cantando o hino nacional. Quando acordei, estava com uma obstinação: eu tinha de P-O-S-S-U-I-R aqueles jogadores italianos, nem que fossem as figurinhas do álbum da copa. Mas como? Uni o útil ao agradável. Todo sábado os meninos da rua faziam Campeonato de Poeiraos camisas contra os sem camisas. Se eu fui lá com a intenção de participar? NOT! Me arrumei todo, lavei minhas Havaianas – pois sempre odiei chinelo encardido –, hidratei meus lábios com margarina, peguei minha  personal capanga e alcei voo rumo ao terreno baldio.  Os meninos simplesmente não me deram as figurinhas. Tive de pagar prendas para ganhá-las e a pior de todas foi calçar uma chuteira, entrar no jogo e ter de fazer um gol. Como não estava conseguindo, resolvi espalhar o meu Gloss. Fiquei plantado na frente do goleiro e quando vinha em minha direção algum fifi animadinho com a bolaameaçava-lhe com uma bitoca. Os bofinhos sempre fugiam e eu, esperto, roubava a bola e tentava o gol, até o momento em que consegui e me libertei daquela prenda maldita. Chegando em casa, desenhei um coração de batom na parede e preguei todas as figurinhas. Mal consegui dormir naquela primeira noite.

A partir dali que evoluí e hoje, realmente, tenho paixão, não por futebol, mas por jogadores. Por isso posso dizer, DUNGA NÃO ERROU. Nós temos de ter a consciência que nem todo técnico de futebol é assim... uma Susana Werner: que tenha a visão de trocar um Ronaldo por um Júlio César. E uma seleção que tem Kaká, representante na terra da beleza angelical ungidacomo diria nossa irmã Cleycianne, não precisa de mais nenhuma benção. Se me incomodo com a convocação de Grafite? Bem, se esse Grafite for ponta grossa, devidamente prensado pode dar um diamante artificial, o que já dá pro gasto, não é mesmo? Só fico sentido de o Ganso não ter ido. Já imaginou ele afogando as mágoas de uma derrota? Quanto ao resto da seleção, é tudo camarãozinho: a gente despreza a cabeça e come o corpinho. Você pode até ter alergia a crustáceos, mas não ao dinheiro! Há ryquezza entranhada em todos os poros de cada um dos convocados, não nos enganemos.

Enquanto eu estiver na África, por favor, me chamem de Hugo Mandela. Quero acabar com o apartheid, vou lutar pela fim da segregação dos times, quero todos juntos numa suruba multicultural. Quero montar a seleção glossificada, nem que para isso eu tenha que invadir vestiários, fazer safári nas concentrações e macumba na porta dos estádios. Não vou deixar a minha vuvuzela,  toda trabalhada nos Swarovski by Camargo se calar enquanto não colocar Piqué e Ibramovic juntinhos num só time, que bata bolas sem dó nem piedade.

Nessa copa, vou reivindicar dos jogadores a dose de testosterona que a vida não me deu. Vou acabar com a minha subnutrição de amor. Vou me contaminar com o vírus da paixão. Vou consolar todas as seleções derrotadas. Vou admirar as coxas bem torneadas, os encontrões de corpos suados, as cuspidas viris nos gramados, as ajeitadas de mala e, principalmente, a hora das trocas de camisas. Porque a Copa não é boa somente para sair mais cedo do trabalho, fifis. Copa é um banquete de EROS, esperando boquinhas glossificadas como a minha e a sua para devorá-lo. Bon profit.

A maior Ola do Mundo



Um dos meus trauminhas de futebol era quando o meu avô me levava para assistir jogo no estádio. Eu tinha pânico daquela muvuca. A única parte que eu gostava era o momento da “Ola”. Sempre adorei coreografar. Quando aquela onda humana vinha na minha direção, eu me levantava loucamente e jogava os braços para o alto e gritava: "ALOOOOOOKA".

Por isso fiquei super serelepe quando vi que uma grande disputa pela maior "Ola" do mundo aconteceria via Twitter. Já imaginou, fifi, participar de uma "Ola" virtual e ainda concorrer a pacotes para a Final da Copa do Mundo?

Pois então, corra para o portal da TwexicanWave, faça o login com os seus dados do Twitter e participe!

Para entrar em uma "Ola" basta postar, pelo site da TwexicanWave, um tweet com uma foto (fazendo a "Ola, claro) e usar a hashtag #TwexicanWave, para computar a sua participação. Cada vez que alguém usar a hashtag sem postar a foto, aquela "Ola" será 'quebrada'.

No dia 25 de junho, quem estiver na maior Ola concorrerá aos pacotes.

Corram para o site da TwexicanWave, clique aqui.

terça-feira

GLOSS NA COLUNA DO ZE SIMÃO 2

JOSÉ SIMÃO

Gorete virou a Mulher Gorila!


E ela ficou a cara da Marcia Goldsmith! Mas ela não queria ser Gisele? Eu entrava no Procon! Rarará!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
TVs entram em PÂNICO! Transformação de Gorete faz "Pânico" bater recorde de audiência. Emocionante. Parecia final de novela da Glória Perez! Com o quadro "Gorete quer ser Gisele!".
Paula Veludo, a Gorete, era desdentada e estrupiada. Aí, ela foi na Ligia Kogos e passaram reboco na cara dela. Depois, ela foi no dentista Anderson e botaram um piano na boca dela.
E ela ficou a cara da Marcia Goldsmith! Mas ela não queria ser Gisele? Eu entrava no Procon. Rarará! Podia ter sido pior, ficado com a cara da Sonia Abrão. Ela ficou incrível, mas com dente demais. Cuidado com o boquete! Rarará!
E como disse o Hugo Gloss no Twitter: "Agora, ela vai ficar com um megatique nervoso chupando dente o resto da vida!". E um outro: "A Dilma é a Gorete do Lula!". E uma outra: "Adorei a Gorete. Todo mundo devia ter acesso à beleza paga, vencer o determinismo genético". Rarará! Não existe mulher feia, mas sim desprovida de money. Agora eu quero ver ao contrário: a Gisele virar Gorete. Transformação de circo: Mulher Gorila!
E domingo, dia 23, foi Dia Mundial da Tartaruga. E por coincidência ou perseguição era o aniversário do Rubinho. Então, parabéns ao Rubinho e a todas as outras tartarugas. Rarará!
E o recado da secretária eletrônica do Lula: "Não posso falar agora, fui até ali resolver os problemas do mundo e volto logo".
E a Cópula do Mundo? Frase do ônibus da seleção do Brasil: "O único ônibus com oito volantes". E a frase no ônibus da seleção da Grécia: "Vende-se!".
Seleção dos Leitores! Os leitores continuam mandando seleções melhores que a do Dunga! Fala pro Dunga levar o time de futebol society, ao lado do Shopping Morumbi: Catota, Zezinho Pigmeu, Boneca, Japa Louco, Julio Putanheiro, Jão Cueca Freada, Dente Podre, Suvaco de Cobra e Pum de Véia!
E essa direto de Salvador: Adriano Come Lixo, Alex Caganheta, Messias Beiço de Chupar Limão, Neco Louco e Danilo Psicopata! Hexa garantido!
É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Diadema tem um salão de beleza chamado O INCRÍVEL RUQER! Ueba! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Melancólico": companheiro depois de comer a Mulher Melancia. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

simao@uol.com.br

quinta-feira

GLOSS NA COLUNA DO ZÉ SIMÃO

JOSÉ SIMÃO

Buemba! Eu sou filho do Zé Mayer!


E o machão homofóbico do "BBB" que se chama Dourado?! E a bibinha emo parece um Smurf


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Forro do Cinemark do Cidade Jardim desaba! Isso é que é 3D! Sessão das 21h no Cinemark do Cidade Jardim: forro desaba parcialmente em cima das pessoas! Nome do filme: "Onde Vivem os Monstros".
E o filme do Lula? O chargista Simon Taylor mostra como o Lula vai bombar a bilheteria do filme dele: BOLSA PIPOCA! O desavisado ganha um saco de pipoca e um santinho da Dilma autografado. Dentro do saco! Rarará!
E já imaginou o filme do Lula em 3D? Aquele dedo voando em nossa direção: vuuuu PÁ, direto no olho! E um filme com o Serra Vampiro Anêmico e com a Dilma RouCHEFE? Seria o AVOTAR, como diz o blog do twitteiro? Não, seria AVOMITAR! Dilma e Serra em AVOMITAR!
E a drag do "BBB"? É a cara do Maluf! Por isso que ele tá ROUBANDO a cena. E, vendo o "Jornal Nacional", um amigo pergunta: "Onde se hospedam os jornalistas da Globo no Haiti?" Onde dormem, jantam, tomam água, banho? E tem uma cidadezinha em Pernambuco que toda vez que o William Bonner e a Fátima Bernardes dizem "Boa noite", eles gritam de volta "BOA NOITE"!
E uma velhinha diz "Boa noite, vão com Deus, meus filhos". Eu não queria ser filho do Zé Mayer. Que é pai da novela toda. Rarará!
E o Big Biba Brasil? Recado no twitter do Hugo Gloss: "Bom dia, machinho que assinou o PPV do BBB pra ver as gostosas tomando banho. Edição errada! Nessa só tem músculos e glitter".
E o machão homofóbico que se chama Dourado?! Você acredita num machão chamado Dourado?! E a biba emo parece um Smurf. E o advogado careca parece um vibrador. O Pinto Falante! A Dlag, o Smurf e o Pinto Falante! Big Bizarros Brasil! É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que no interior do Pará tem um restaurante chamado Come em Pé! Agoniado Mas Gostoso! Ueba! Isso é Dias Gomes puro. Mais direto impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Homofobia": companheiro com fobia a sabão em pó! Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
E quem não tiver colírio pode pingar Ajax com Fanta Uva!

simao@uol.com.br

Champagne: minha lição de vida

Certa vez, em uma véspera de réveillon, eu estava triste e desolado. Descrente comigo e com a vida. Estava sem brilho e sem perspectivas. Mamy Gloss ficou feliz ao me ver naquele estado, achou que eu estava virando homenzinho e que, finalmente, ia tomar um rumo na vida. Sem se conter de felicidade, mamãe esboçou algumas palavras e comentou com aquela sua cliente rica, Elvira Berta, que achava que eu finalmente tinha deixado aquele meu jeito exagerado e extravagante de ser. Elvira Berta ouviu tudo calada, apenas bebericava seu champagne. Quando Mamy terminou de fazer a unha, Elvira mandou me chamar, disse que queria conversar comigo. Elvira sempre me surpreendeu. De um modo geral, ela me ignorava ou fazia um ar blasé quando se dirigia a mim. Não sei por que, neste dia, ela me chamou reservadamente para conversamos no gazebo, que ficava no jardim de sua casa. Ela, que já vinha bebendo champagne desde o início da tarde, recostou-se confortável e elegantemente em uma chaise longue e disse para eu me acomodar na outra ao lado. Sentei-me desconfortável e desengonçadamente. Anos mais tarde, quando atingi a consciência corporal plena é que passei a conseguir me sentir à vontade em móveis com design sofisticado. Ela me olhou ali com um ar esnobe e pediu para Javier, seu mordono argentino, servir-nos Veuve Clicquot. Depois de bebericar, ela já disparou:

- Sei que você está mal, mas isso não é desculpa para se sentar desse jeito. Esse ombro arqueado, essa coluna torta, esse pescoço projetado para frente, enfim, essa compleição física de retirante sofrido, que carrega nas costas o peso da pirâmide social, irrita-me profundamente. A falta de postura é, antes de tudo, uma fraqueza de espírito. Ter postura é um ato de coragem, é muito mais um ato de não-aceitação da sua condição do que a inevitável consequência de uma vida sofrida sobre suas vértebras. Se você aceitar tudo que lhe jogam nas costas, vai envelhecer encurvado e no fim de uma existência medíocre, vai estar literalmente arrastando a cara no chão. É isso que você quer? Se você quiser livrar-se desse ranço de deselegância que você arrasta, comece por uma postura adequada. E por "postura adequada" entenda-se: estado de espírito adequado, nem que isso signifique desprezar e ignorar tudo aquilo e aqueles que lhe joguem para baixo. E, por favor, quando eu estiver falando com você, olhe diretamente nos meus olhos. Desvios de olhar frequentemente são os primeiros sinais de desvio de caráter... Mas lhe chamei aqui porque sua mãe disse que você andava descrente, murcho, apagado... Em se tratando de você, achei, no mínimo, improvável que tais adjetivos pudessem ser aplicáveis a sua pessoa. O que aconteceu com você para lhe deixar nesse estado?

Aquelas primeiras palavras de Elvira me deixaram em pânico. Era um misto de medo, desconforto e um pouco de desilusão comigo mesmo. Eu estava desbaratinado. Apesar de antes eu sempre ter treinado com água gaseificada, era a primeira vez que estava bebendo champagne e não foi nada glamuroso. Quando vi, estava segurando a taça com as duas mãos e o cristal estava todo impregnado de suor. Tinha crises terríveis de sudorese quando ficava nervoso. Fiquei catatônico por um tempo. Elvira já impaciente, disse para que eu respondesse logo. Foi então que recobrei a consciência. Balbuciando e gaguejando respondi:

- Não, não aconteceu nada não. É que sou muito estranho. Desde de quando era mais novo, só escuto todo mundo dizer: "Hugo não é de Deus, tem alguma coisa errada com esse menino."; "Isso daí é castigo, pra mãe dele aprender a ser menos assanhada."; "É falta de pai, filho de mãe solteira dá nisso, vira meia-moça.". Quando tava no primário, uma professora me deu zero, só porque minha prova tava toda beijada de margarina e quando foi me entregar ainda disse na frente de todos os colegas: "Você é uma aberração, Doriana". Dentro de mim eu me acho o máximo, mas os outros sempre mangam de mim. Aí tenho vontade de chorar. E agora só fico feliz quando me escondo dentro de uma caixa de papelão, que veio na geladeira nova do vizinho. Eu fico assim, perdido, não sei o que ser.

Enquanto eu falava, em vários momentos Elvira se segurava para não rir. Mas sempre muito direta e objetiva ela levantou a taça de champagne contra a luz e disse:

- Tá vendo isso daqui? É a minha bebida predileta. Já há um bom tempo o champagne é considerado o ouro líquido e espumante. Mas nem sempre essas borbulhas, que hoje trazem à nossa mente uma profusão de aromas elegantes e alegres, foram bem vistas. O champagne começou como um vinho que deu errado. Você não deve saber nada de vinhos, não é? Então deixe-me explicar. A base da fabricação dos vinhos é a fermentação. Antigamente, colocava-se o suco em barris abertos e, com a temperatura ideal, as leveduras se deliciavam com o suco de uva. Os subprodutos daquele banquete de fungos eram o álcool e o gás carbônico, que escapava para o ar. Ocorre que, durante o Século XVII, numa época que hoje é conhecida como Pequena Idade do Gelo, as baixas temperaturas do inverno interrompiam o processo de fermentação. As leveduras permaneciam adormecidas até a primavera, quando então acordavam e reininiciavam o processo de fermentação, que havia sido interrompido. O problema é que na primavera os vinhos já tinham sido transferidos para os barris fechados e o gás carbônico que agora era liberado ficava retido dentro do barril, em forma de pequenas borbulhas. No início, essas borbulhas nada mais eram do que uma incoveniente espuma que "estragava" o vinho. Quando o vinho tinha essas borbulhas, era chamado "vinho do diabo". As borbulhas, que hoje são objeto de veneração, eram consideradas como um indesejado acidente. Havia até um monge cego especialista em eliminar tais bolhas, tratava-se do lendário Dom Pierre Pérignon, que hoje tem seu nome imortalizado num dos mais aclamados champagnes do mundo. E como a vida é uma ironia e os golpes de publicidade não são uma virtude exclusiva dos nossos dias, há muito criou-se uma lenda de que Dom Pérignon teria "inventado" o champagne. Mas, como eu disse, tudo não passou de um acidente e as preciosas borbulhas eram vistas como um estorvo a ser eliminado.

Eu fiquei sem entender por que diabos ela tinha me dito aquilo. Ela, já se antecipando, disse:

- Eu sei que tudo isso é muita informação para você. No entanto, suponho que você seja inteligente o suficiente para perceber que essa história de como o champagne passou a borbulhar é uma lição de vida e superação. As borbulhas incovenientes, que "estragavam" o vinho, que era sinônimo de desgraça para vinicultores, com o passar do tempo, tiveram o seu valor reconhecido. E, de um indesejado acidente, o champagne passou a ser o mais desejado item de celebração nas festas de Luís XIV. Luís LX levou-o ao status de delírio na corte francesa. Nas festas de Napoleão, costumava-se beber em torno de 1000 garrafas em uma única noite. Somente os mais ricos, dentre os mais ricos, conheciam o apelo sensual do champagne. Madame Pompadour costumava dizer que "o champagne é o único vinho que deixa a mulher mais bonita depois de beber". De vinho renegado, o champagne passou a ser a bebida mais cultuada. Na escala evolutiva do refinamento, vez ou outra, o luxo e glamour encontram resistência até serem plenamente aceitos, Hugo. Geralmente, aquilo que subverte a noção óbvia das pessoas é hostilizado. E é isso que acontece com você. Você tem ar exótico, às vezes um pouco vulgar é certo, mas com alguns ajustes você pode se tornar um porta-voz do glamour. Você causa incompreensão nas pessoas. Você, definitivamente, não é óbvio. Das personalidades, de um modo geral, só me interessam aquelas que não são óbvias. Aquilo que é comum, corriqueiro, padrão me enfastia. Hugo, a vida para mim é uma passarela e eu estou sempre sentada na primeira fila. Estou exaurida com a mesmice. Você tem algo diferente. Você pode borbulhar.

Ela mal terminou de falar e eu me levantei. Um outro efeito colateral do meu nevorsismo foram os gases. Corri para o banheiro da dependência de empregada, mas antes de chegar, soltei um punzinho molhado. Sujei toda a minha cueca. Mas mesmo borrado, tinha voltado a me sentir o máximo. A partir dali decidi que não mais ia ser vítima da incompreensão alheia. E foi naquela tarde que concluí: se o verdadeiro champagne representa a volúpia em seu mais alto grau de luxo, a Sidra representa o apelo vulgar de uma prostituta desdentada.

Ter um passado para contar e uma história de vida é tendência. Hugo Gloss não se envergonha do seu passado. Hugo Gloss é a segunda fermentação do ser humano. Hugo Gloss é o acidente cuja consequência foi o luxo. Hugo Gloss é o subproduto inesperado, que veio para acabar com a mesmice. Hugo Gloss é o inimigo do óbvio e dos donos de obviedades.

Que venha 2010, repleto de borbulhas e de surpresas! Se você não puder tomar champagne, beba pelo menos água com gás. O que importa é a postura. Desejo que vocês, meu funguinhos amados, consigam fermentar essas vontades reprimidas, liberando suas próprias borbulhas de luxo e glamour, e que cada pequena conquista diária seja digna de um brinde. Enfim, que vocês passem por 2010 e não que o ano de 2010 passe por cima de vocês. A cara da riqueza não está (apenas) nas suas roupas, está em você mesmo, é só escolher usá-la. Ahaze sem medo!

Beijos do Gloss, que já foi Doriana. Tin-Tin!!


(Texto escrito por @francfloyd)

sábado

Da Margarina ao Gloss: minha sina para o luxo




Tudo começou num almoço de domingo. Minha mãe, às vezes, chutava o pau da barraca. Deixava de pagar alguma conta e comprava para comermos frango de padaria, aquela obra de arte vulgar da gastronomia barata. Naqueles tempos, domingo feliz era domingo que tivesse frangão dourado com maionese e farofa. E foi num desses almoços que descobri minha luz própria. Depois de devorar uma coxona toda lambuzada de gordura, mamãe me mandou lavar a boca. Fui ao banheiro, que ficava na casa do vizinho, no fundo do nosso terreno. Subi num banquinho e, quando me olhei no espelho daquele armário de plástico, achei absoluta a minha boca toda brilhosa com o óleo do frango. Sensualizei. Beijei o espelho. Ali, naquele banheiro de fundo de quintal que nem era meu, do lado de um vaso todo respingado de urina seca amarelada, com cheiro de ranço, tive uma certeza: vim nesse mundo para brilhar!


O problema foi que, depois disso, não tinha frango para comer todo dia. Tive, então, a minha primeira crise de histeria. Eu era uma criança chiliquenta. Queria, a todo custo, andar por aí com os meus lábios cintilantes. Chorava, sapateava, dava gritinhos e mordia todo mundo que viesse falar comigo que aquilo não era coisa de menino. Mamãe não me aguentou e comprou um pote de margarina para mim. Eu A-M-E-Y. Bezuntava meus lábios, retocava com papel higiênico e saía para escandalizar a vizinhança. Não deixava de levar meu precioso pote de margarina nem mesmo para o colégio. Meus coleguinhas, maldosos que eram, passaram a me chamar de Doriana.


É, amados, Gloss já foi Doriana. Tempos difíceis. Nasci incompleto. Minha mãe era incompleta: meio pedicure, meio cabelereira e meio depiladora. Não era ninguém ao certo, é verdade. Mas era a única coisa certa que eu tinha. Faltou-me um pai, que só esteve presente no momento em que minha mãe lhe abriu as pernas aos 16 anos de idade. Sou filho de uma vontade hormonal inconsequente e de um óvulo em ebulição. Nasci fervido. Eu não nasci no luxo. Para dizer a verdade, o luxo nasce em mim.


Só deixei de ser Doriana depois que mamãe deu uma guinada na vida. Foi quando ela foi contratada, com exclusividade, para fazer os cuidados pessoais de uma cliente de meia idade, podre de rica, poderosa e solteirona. Tratava-se de Elvira Berta, à época, editora-chefe da revista VAGA, sucesso editorial da moda brasileira nos anos 80. Ela tinha uma personalidade difícil, era sufocante e mimada. A minha mãe, quando foi chamada para trabalhar com ela, entrou em pânico. Tinha feito a unha da mão dela uma única vez, num dos poucos períodos em que conseguiu trabalhar de carteira assinada em um salão badalado. Más línguas falavam que Elvira, senhora de trejeitões lésbicos, tinha por hábito contratar moças novas por quem nutria uma certa atração. Mamãe, dona de um instinto de sobrevivência ímpar, sabia se insinuar para manter seu emprego, quando isso fosse necessário para encobrir alguma falta de habilidade ou quando tirarava um bife.


Nossa vida melhorou bastante nesta época e, finalmente, pude abandonar o potão de margarina e comecei a usar manteiga de cacau. Um sonho há muito alimentado tornara-se realidade. Adorava girar a base para ver o bastão úmido subir. Passava primeiro no lábio inferior e depois, sensualmente, esfregava um lábio no outro. Com o tempo, decepcionei-me. Manteiga de cacau é uma das maiores enganações que a humanidade já produziu. Meus lábios ficavam ressecados. Até descobrir que o problema era do cacau e não meu, sofri demais. Achei que tinha perdido meu brilho. Entrei numa fase negra, pensei em me matar.


Fiz escândalos, tentei suicídio. Minha mãe, a contragosto e já sem saber o que fazer para que eu voltasse a brilhar, comprou para mim o "Morango do Amor" da Avon. Mas antes de me entregar, ela disse: "Hugozinho, comprei isso para você, mas só vou te dar se você me prometer uma coisa. Quando você tiver empolgado com algo em público, pelo amor de Deus, para de dar gritinhos! É feio filho, não é coisa de menino isso." Eu me fiz de sério e concordei. Corri para o quarto. Quando abri a embalagem, veio aquele cheiro gostoso, tive uma vontade imensa de comer tudo aquilo. Mas da primeira vez só passei nos lábios. Quando me vi no espelho, não me aguentei, e dei um gritinho bem agudo, fiquei serelepe por uma semana seguida. Até que, um belo dia, depois do almoço, sem nada para comer de sobremesa, não resisti. Corri para o quarto e enfiei a língua no moranguinho e comi tudo.


Com o brilho labial moranguinho tive aquela sensação de ter chegado ao auge. Veio então a fase da monotonia na minha adolescência. Meio perdido e sem saber o que fazer dali para frente, comecei a experimentar substâncias ilícitas. Nessa minha fase porra louca, passei todo tipo de droga labial: Davene, Monange, Hipoglos, Óleo de Máquina Singer, Azeite Gallo com 1,5% de acidez, vaselina, KY e até mesmo graxa. Tudo e mais um pouco passou na minha boca durante esse período. Tomei coragem e passei um batom vermelho. Quando me olhei no espelho comecei a chorar, estava ridículo com aquele batom. Eu tentava a todo custo encontrar a medida perfeita do brilho.


Passei muito tempo perdido e sem rumo, até que Elvira Berta, que foi a primeira celebridade cujo coração conquistei, me deu um tubinho de Gloss de presente de Natal. O Gloss foi a medida certa que encontrei. Gloss era o meio termo entre o batom e o lábio ressecado. Com o Gloss, não precisava usar batom. Nem precisava deixar meu lábio ressecado, correndo o risco de ser confundido com um hétero. Atualmente posso dizer que estou no meu auge. Foi com o gloss que cheguei à plenitude da realização labial. Depois de descobrir o gloss, definitivamente deixei de ser Hugo Adriano Raoni e passei a ser Hugo Gloss.  


(Texto escrito por @francfloyd)

quinta-feira

Mais do que Gloss: Mais que Social

O movimento “Mais Que Social”, com pouco mais de duas semanas de vida, causou horrores e já impactou a humanidade mais que a Revolução Francesa (nossa única concorrente de peso). Toda coluna social que se preze já divulgou o movimento e teceu críticas fervorosas. Nossos iPhone e Blackberry não param de tocar. Todos os jornalistas querem falar com ele, Hugo Gloss, o mártir da nossa ideologia perfumada. Ele tem recusado falar com a imprensa . Está cansado dos jornalistas resumirem suas entrevistas quilométricas em apenas duas linhas. Para manter a integridade do movimento, ele falou com exclusividade para o "Mais Que Pior":


- Você morreria pelo movimento “Mais Que Social”? Nunca! No máximo fingiria um desmaio.


- E lutar por uma causa? Para que, amado? Você gasta a sua beleza e quando a briga terminar ela já vai estar fora de moda. Eu lanço causas, que espalham por si mesmas, não preciso brigar para convencer as pessoas a gostarem do melhor.


- Você tolera a ditadura? Super tolero. A ditadura da moda e também aquela outra DitaDura.


- Cesta Básica? Nem pensar. Cesta mais do que básica, meu amor. Adeus ao arroz e feijão. Vida longa à Veuve Clicquot e ao Foie Gras. As pessoas andam subnutridas de elegância e glamour.


- O "Mais Que Social" pretende lançar algum programa, à semelhança do Bolsa-Família? Você tá louco, fifi? Comeu "carbo" depois das 18h, foi? Não sou o pai que passa a mão na sua cabeça porque a vida-madastra te chicoteia. Talvez, muito talvez, eu faça um Bolsa-Hermès.


- O que é a liberdade? Liberdade é você poder ir e vir. Ir para Dubai e pagar U$ 10.000,00 de diária do Burj Al Arab e depois voltar para Paris e gastar o PIB de um país africano nas comprinhas de final de semana.


O movimento já tem algum desafeto? Sim. Todo movimento tem um inimigo. No nosso caso, temos uma vilã: a Heloísa Helena. Ela aterroriza e ameaça diariamente a nossa ideologia com aquele visual fossilizado de blusinha branca e calça jeans. O que é isso, companheira? Até os "sans-cullote" tinham mais estilo.


- O declínio de uma ideologia? O Senador Suplicy trocar a bandeira vermelha do PT pela tanga vermelha do Super-Homem.


- Você tem alguma esperança com o cenário atual? Olha, a Era Obama tem sido tudo. O Obama será lembrado como um paradigma. Ele fez os políticos abandonarem as gravatas vermelhas e carregadas da Era Bush. Agora os tons estão bem mais claros e leves. E o Obama é um ótimo produto fashion. Ele tem sido inspiração para camisetas super descoladas.


- Mas e da política brasileira, aproveita alguma coisa? Somente a "Marta". Não a Suplicy, claro. Mas a base da mesa do nosso venerado Clodovil, em formato de cobra naja. Aliás, o amado Clô nos deu várias lições:




(Texto escrito por @francfloyd, com colaboração de @hugogloss e @camiladmarques)